domingo, 11 de novembro de 2007

Athenas - Grecia IV




Uma conhecida expressão de Marguerite Yourcenar toma o tempo como o mais poderoso e profícuo escultor. As estátuas gregas sofreram séculos e séculos de vicissitudes que lhes deram o rosto com que hoje as vemos e nenhuma delas esconde a “beleza involuntária que lhes vem dos acidentes da história e dos efeitos naturais do tempo”. Não só não estão terminadas, portanto, como foram incorporando ao longo da sua vida, com maior ou menor subtileza, marcas que traduzem os movimentos da história ou do acaso, os trabalhos do tempo, afinal. Assim é, também, a velha Atenas - e mesmo os aspectos que muitos viajantes ignoram ou subvalorizam estão impregnados de um profundo significado histórico ou cultural.


Quem, em Atenas, buscar beleza fácil e imediata, cedo se exilará numa decepção tão irremediável como absurda. Nenhum olhar sobre Atenas, como nenhum passo desenhado ao longo das ruelas da Plaka ou entre ruínas, guiará o espírito do viajante se nele não se fizer presente toda a complexa densidade histórica da mais oriental das capitais europeias. Noutros delicodoces cenários demandados pela turba turística talvez a eloquência do cenário dispense uma disponibilidade especial e a entrega incondicional do viajeiro. Mas não em Atenas, onde há que ser caminhante de sombras e de claridades, de ruínas e de tumultos, de silêncios e de caos, de memórias e de presenças nem sempre transparentes, nem sempre à flor das coisas.


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